Grupo Figueira da Glete

  IN MEMORIAN
 
JOSÉ VICENTE VALARELLI

 

             

José Vicente Valarelli, o Vala como era conhecido em seu amplo círculo de amigos, deixou-nos às 11 horas da manhã do dia 20 de Março deste ano de 2000, após prolongado e imerecido sofrimento.

Nascido em 10 de janeiro de 1939 na cidade de Sorocaba em São Paulo formou-se em Geologia em 1960, na primeira turma do Curso de Geologia da antiga Faculdade de Filosofia Ciências e Letras da Universidade de São Paulo.

Desde cedo adquiriu excelente nome profissional consolidado em numerosas atividades como pesquisador e professor. Freqüentou cursos que, enunciados aqui, dão idéia de suas tendências científicas para assuntos de mineralogia e cristalografia: 1990 - Inclusões fluidas e cristalização industrial, 1991 - Mecanismos de crescimento de cristais, 1 992 - Cristalização industrial, 1994 - Determinação de estrutura de minerais pelo método de Rietveld, Mineralogia aplicada e técnica, 1995 - Crescimento cristalino e morfologia dos cristais, 1996 - Método de Rietveld, X-ray dìffraction analysis, 1997 - Cristalização industrial e precipitação, 1998 - Caracterização geológica e tecnológica de matérias primas para cerâmica, O método Rietveld e GSAS. 

Sua carreira docente iniciou-se em 1961 como instrutor de Mineralogia no Departamento de Mineralogia da antiga FFCL da USP, prosseguiu com o doutoramento em 1976, quando defendeu tese sobre "O Minério de Manganês da Serra do Navio, Amapá, Brasil" e com a livre-docência em 1971, com a tese sobre "O Minério de Titânio, Nióbio e Terras Raras de Catalão, Goiás", defendida no Instituto de Geociências da USP. Em 1973, tornou-se Professor Adjunto e, em 1988, culminou sua trajetória na carreira com o título de Professor Titular de Mineralogia e Cristalografia no mesmo Instituto.

No Departamento de Mineralogia do IG-USP coordenou o Programa de pós-graduação em Mineralogia e Petrologia entre 1985 e 1991. Foi também responsável pela instalação e funcionamento dos laboratórios de Difração de Raios-X, Síntese hidrotermal de Minerais e Inclusões Fluídas , e era, até o seu falecimento, Professor e Orientador de pós-graduação em Mineralogia Experimental e Aplicada.

Após a aposentadoria na USP em 1992, continuou suas atividades docentes como Professor Visitante no Depto de Mineralogia e Petrologia do IG-USP(1992-1995) e como Professor Colaborador no Depto de Petrologia e Metalogenia do IGCE-UNESP de Rio Claro.

Orientou mais de trinta candidatos a mestrado e doutorado sendo muitos deles atualmente pesquisadores de renome em instituições nacionais. Participou, com trabalhos de numerosas reuniões científicas no Brasil e no exterior. Obteve várias distinções científicas e tecnológicas entre as quais destaco a medalha "Martelo de Prata da Sociedade Brasileira de Geologia (1969)".

Transferiu para o setor produtivo o resultado de suas pesquisas com termofosfato, carnalita, minérios de manganês, rejeitos farmacêuticos, vermiculita, argilas e fertilizantes.

Publicou cerca de 110 artigos em revistas nacionais e estrangeiras versando assuntos relacionados essencialmente à Cristalografia e Mineralogia pura e aplicada. 

O Vala concentrava todo esse cabedal científico e tecnológico em uma pessôa de gênio tipicamente peninsular, capaz de amargar alguns rancores mas também de confraternizar-se em expontâneas e ruidosas manifestações de alegria. Lembro com saudades de seus gritos nas partidas de truco e de suas gargalhadas escandalosas ressoando pelos corredores do IPT ou do IG. Seu otimismo se manifestava ultimamente na resposta às minhas perguntas sobre sua saúde: "Vou indo completamente mais ou menos !". Deus queira que agora ele nos esteja olhando com uma disposição "completamente mais", livre enfim de tanto sofrimento. É o que podemos desejar para nos conformarmos com a perda de tão querido amigo. 

Texto extraído da Revista Brasileira de Geociências 
Volume 30 número 4,   dezembro 2000

 

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