Grupo Figueira da Glete

  IN MEMORIAN
 
CARLOS AUGUSTO LUCIANO ISOTTA

             

GEÓLOGO CARLOS ISOTTA

Com vocação “naturalística” desde que nasceu, a 21 de dezembro de 1940, Carlos Augusto Luciano Isotta optou pelas ciências da Terra já no início do curso secundário, provavelmente inspirado pelo bronze de bandeirantes com amostras de rocha, até hoje de sentinela na entrada do Colégio Fernão Dias Paes, e pelo contagiante entusiasmo da docente de História Natural, Professora Taguéia Björnberg. 

Isotta graduou-se em Geologia em 1965, pela antiga Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da Universidade de São Paulo. Devido ao seu destaque nos estudos e à personalidade forte e irrequieta, foi inevitável que a Turma de 65 ficasse conhecida como a Turma do Isotta. Ainda estudante, Isotta foi convidado pelo Prof. Viktor Leinz para estágio no Departamento de Geologia Geral, que alternou com a função de estagiário do Instituto de Pré-História da Universidade de São Paulo, a convite de seu Diretor, Dr. Paulo Duarte. 

Pelo seu grande interesse em Arqueologia e nas origens do Homem Americano, optou, logo após obtido o diploma, por pertencer ao quadro do Instituto de Pré-História, onde colaborou com várias pesquisas e publicações sobre sambaquis. Cerca de dois anos mais tarde, atraído por novos desafios, transferiu-se para o Departamento de Geologia Geral da USP. Nessa última instituição lecionou Geologia Geral e Histórica e participou de trabalhos sobre basaltos da Bacia do Paraná, geocronologia de rochas pré-cambrianas da Bahia, glaciação pré-cambriana no Brasil, Grupo Itajaí, conglomerados diamantíferos de Romaria (MG) e vários outros, obtendo o grau de Mestre em Geologia no ano de 1969. 

Em 1970 viu-se tentado a aceitar cargo em empresa de mineração, a convite do Dr. Donald Campbell, para trabalhar com aluviões estaníferos em Rondônia, onde atuou como gerente de pesquisas, tendo iniciado uma dedicação ininterrupta de 11 anos ao estudo da cassiterita naquele território. O interesse em melhor conhecer e decifrar todas as ocorrências de cassiterita da Província levou-o a ingressar na CPRM (Distrito de Porto Velho) em 1974, onde elaborou detalhado programa de pesquisa aprovado pelo Ministério de Minas e Energia, e que culminou num extenso e precioso relatório, de vários volumes, no qual consta a estratigrafia mais completa e atualizada do Pré-cambriano da região. Deve-se ao geólogo Isotta o primeiro alerta sobre a existência de paleovales em Rondônia e à presença de mineralizações primárias economicamente exploráveis em sedimentitos do Grupo Palmeiral (Prainha) e solos de alteração de granitos, até então desprezados pelos mineradores. 

Após concluída sua missão na CPRM, transferiu-se novamente para a iniciativa privada, dando continuidade ao seu invejável currículo na mineração de estanho, não só em Rondônia, como também no Amazonas, Pará e Goiás. Organizou uma coleção representativa de todos os tipos de cassiterita da Amazônia, tendo se tornado perito na identificação dos minúsculos grãos metálicos ou adamantinos sob lupa estereoscópica. 

O reconhecimento ao trabalho do geólogo Isotta, marcado por idealismo e determinação e realizado num curto período de vida, prematuramente encerrado aos 40 anos num dos tantos acidentes aéreos na Amazônia, em janeiro de 1981, foi unânime na comovedora inauguração, a 13 de maio de 1982, do “Museu de Minerais e Rochas Geólogo Carlos Isotta”, idealizado em Manaus pelos amigos e companheiros do 8o Distrito do DNPM, com apoio financeiro e doações das principais Empresas atuantes na área de Mineração de cassiterita.   

              Geólogo Andrea Bartorelli         

Outubro 2002        

 

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