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Brucutu - Símbolo da Geologia da USP - Adaptado do original de Jack $ Carole Bender pelo então estudante Fernando Pellerim de Araújo da primeira Turma, formada em 1960. GRUPO FIGUEIRA DA GLETE.
NOSSA HISTÓRIA
 

GEOLOGIA NA USP
 ENTREVISTAS & ARTIGOS                                     

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O Ensino da geologia e a pesquisa nas Instituições Universitárias  

 Josué Camargo Mendes e Setembrino Petri

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A formação de geólogos

A velha Escola de Minas de Ouro Preto foi o único centro de formação de geólogos brasileiros até 1939, quando se criou o Curso de Engenharia de Minas e Metalurgia na Escola Politécnica de São Paulo. Um lustro mais tarde, surgiu curso análogo no Rio Grande do Sul e, alguns anos depois, outro em Pernambuco.

Em 1957, o Governo do Estado de São Paulo criou, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, um Curso de Geologia com a duração de 4 anos. No mesmo ano, o Ministério da Educação instituiu a Campanha de Formação de Geólogos (CAGE), que fundou três outros cursos de Geologia: o de Ouro Preto (junto a Escola Nacional de Minas e Metalurgia), o de Porto Alegre e o de Recife. Para o recém-criado Curso de São Paulo, canalizou verbas e forneceu professores estrangeiros através de convênios (Ponto IV, principalmente).

Em 1958, a CAGE criou mais um Curso de Geologia no Rio de Janeiro, ao mesmo tempo que a Universidade da Bahia organizava o seu. Os mais recentes cursos de Geologia são os de Brasília e do Pará.

Despertaram os novos cursos grande interesse entre os jovens e propiciaram o desenvolvimento de setores da Geologia até então pouco incentivados, como os de Geofísica, Aerofotogeologia, Geoquímica, etc. Os geólogos formados por esses cursos foram prontamente absorvidos pela Petrobrás, Comissão Nacional de Energia Nuclear, ensino universitário, companhias particulares, etc.

No curso de Geologia da Universidade de São Paulo, foram aproveitados os professores que ministravam as ciências geológicas no Curso de História Natural - dentre os quais, Viktor Leinz, Reinaldo Saldanha Da Gama, Rui Ribeiro Franco, Josué Camargo Mendes, William Gerson Rolim de Camargo, Setembrino Petri e José Moacir Vianna Coutinho - e professores de outros institutos universitários - como Geraldo Conrado Melcher. Contrataram-se, também, professores estrangeiros: Russel Gibson, Rudolf Kollert, Gene Edward Tolbert, John Thomas Stark, Henno Max Martin, Mauro Ricci, Norman Herz e outros.

Nos demais cursos fêz-se necessária, também, a cooperação de professores estrangeiros. Assim, no Curso de Geologia do Rio Grande do Sul, ao lado dos brasileiros Irajá Damiani Pinto, Eurico Rômulo Machado, Arthur W. Schneider e outros, vieram colaborar Robert H. Morris, Patrick J. Delaney, Mackenzie Gordon Jr., J. Goni e Max Troyer.

Em Ouro Preto, algumas das matérias do Curso de Geologia passaram a ser lecionadas por professores brasileiros, dentre os quais Aluísio Licínio Barbosa, Moacir Lisboa, José Jaime Rodrigues Branco, e outras por professores estrangeiros (Leo Ammeley, Ben Barnes).

O curso de Recife convocou para ministrar aulas Heinz Ebert, Boris Brajnikov, J. Cassedane, A. Bhaskara Rao e Karl Beurlen.

No corpo docente do Curso do Rio, ao lado dos brasileiros Othon Henry Leonardos, Elisiário Távora Filho, Paulo Erichsen de Oliveira e Rui M. de Lima e Silva, ingressaram Wilhelm Kegel, Louis Loczy, Donald Campbell, Reinhard Pflug, Hermann Havenlehner e Reinhard Helmbold.

Outro grande passo do ensino da Geologia foi a criação de cursos de pós-graduação, relativos aos diversos setores das ciências geológicas.

A pesquisa nas universidades
Já se mencionou que foi Gorceix quem introduziu a pesquisa na velha Escola de Ouro Preto, que ali se impôs como uma tradição. Os sucessivos professores, muitos de grande renome, publicaram trabalhos valiosos nos Anais daquela Escola. Luís Caetano Ferraz chegou mesmo a preparar um exaustivo Compêndio dos minerais do Brasil, de 645 páginas (1928).

Na Universidade de São Paulo, as pesquisas geológicas iniciaram-se, por volta de 1931, na Escola Politécnica, com Luís Flores de Moraes Rêgo; as pesquisas mineralógicas, em 1934, por Ettore Onorato, na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Com a criação do Curso de Engenharia de Minas em 1939, intensificou-se a pesquisa na Escola Politécnica, ativamente realizada por Otávio Barbosa, Fernando F. M. de Almeida, Alceu Barbosa e outros membros do corpo docente.

Ettore Onorato, conhecido cristalógrafo italiano, estimulou - durante a sua permanência no Departamento de Mineralogia e Petrologia da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras - os estudos mineralógicos e petrográficos. Dentre os seus discípulos podemos mencionar: Reinaldo Saldanha da Gama, Rui Ribeiro Franco e William Gerson Rolin de Camargo, grupo a que se juntou, mais tarde, José Moacir Viana Coutinho. No boletim publicado por esse Departamento encontram-se inúmeros trabalhos sobre os mais variados assuntos da Mineralogia e Petrografia, atestado eloqüente da intensidade da pesquisa.

O Departamento de Geologia e Paleontologia, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, foi criado em 1937, mas somente a partir de 1943, surgiram os primeiros trabalhos científicos, sob a direção do professor Luciano Jacques de Morais, publicados, em grande parte no boletim do Departamento.

Intensificou-se a pesquisa, tanto no setor da Geologia como da Paleontologia a partir de 1948, sob a direção do professor Viktor Leinz. Novo impulso adveio da criação do Curso de Geologia na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras , no qual passaram a participar o pessoal antigo do Departamento de Geologia e Paleontologia e numerosos elementos novos contratados, nacionais e estrangeiros.

Houve esforço na preparação de obras didáticas, materializado no Vocabulário Geológico, de Leinz e Camargo Mendes (1951), Guia para determinação de minerais (1954), de Leinz e Souza Campos, Introdução à Paleontologia (1960), Camargo Mendes e Geologia Geral (1961), de Leinz.

O Departamento é sede da Sociedade Brasileira de Geologia e abriga o Laboratório de Geocronologia, criado em 1964.

Na universidade do Rio Grande do Sul, como se viu anteriormente, anos antes até da criação do Curso de Geologia, Irajá Damiani Pinto e seus assistentes realizaram pesquisas no campo da Paleontologia.

A criação do Curso de Geologia,  em 1957, na Universidade de Recife, deu ensejo a que membros do corpo docente iniciassem pesquisas de  âmbito regional. Daí os trabalhos petrográficos de Ebert, os mineralógicos, de Rao, e os paleontológicos de Beurlen e Tinoco.

Finalmente, na Universidade do Paraná, a criação do Instituto de Geologia foi outro grande marco no setor das pesquisas universitárias. Reuniu-se aí um grupo de geólogos muito ativos, dentre os quais, João José Bigarella, Riad Salamuni e Pedro L. Marques Filho.


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Fonte: Texto transcrito da obra GEOLOGIA DO BRASIL. Rio de Janeiro, Instituto Nacional do Livro, 1971 - 207 p. incl. ilustr., mapas. (Enciclopédia brasileira. Biblioteca universitária. Geociências. Geologia, 9), pag. 15 a 18.